Regras para uso de canabidiol já estão valendo

Está valendo, desde a última terça-feira (7), as regras e procedimentos para importação de produtos à base de canabidiol, substância encontrada na maconha. Para ter acesso a substância é preciso estar cadastrado junto a Anvisa e renovar o cadastro anualmente.

O canabidiol é usado no tratamento de crianças e adolescentes com epilepsia ou que sofram de convulsões e não tenham conseguido sucesso com tratamentos convencionais: “A epilepsia de difícil controle é aquela na qual ocorrem crises convulsivas de repetição e sem remissão com o tratamento medicamentoso. Alguns pesquisadores têm definido como indivíduos que apresentam pelo menos uma crise epiléptica por mês por um período mínimo de dois anos e que durante este período pelo menos três diferentes medicações antiepilépticas tenham sido utilizadas em monoterapia ou politerapia sem sucesso”, explica o neurocirurgião Dr. Diego Cassol Dozza.canabidiol

Estima-se que a epilepsia afete aproximadamente 0,5 % da população e que cerca de 30% dos pacientes continuam a ter crises, sem remissão, apesar de tratamento adequado com drogas antiepilépticas. Segundo o neurocirurgião, algumas epilepsias iniciam na infância: “A origem das epilepsias é variável, mas os casos graves geralmente são associados a lesões estruturais do sistema nervoso central como malformações ou lesões anóxicas neonatais (paralisia cerebral); também podem ter origem genética e algumas vezes não se encontram alterações que justifiquem a doença.”

A principal dúvida que ainda existe é de que maneira a substância ajuda no controle da epilepsia. O Dr. Dozza explica os canabinóides agem no corpo humano através da ligação com seus receptores. No sistema nervoso central o receptor CB1 está localizado na membrana das células dos neurônios e possui grande expressividade. “O canabidiol age no receptor CB1 inibindo a transmissão sináptica por bloqueio dos canais de cálcio e potássio dependentes de voltagem (isto é, bloqueia a transmissão entre os neurônios). Desta forma, acredita-se que o canabidiol  possa inibir as crises epilépticas”

O canabidiol se diferencia dos outros antielpilépticos por agir em receptores específicos para esta substância em neurônios cerebrais, o que ocasiona os efeitos terapêuticos da medicação. Porém algumas de suas ações como bloqueio de canais voltagem dependentes no encéfalo e ação anti-oxidante são comuns a outros tipos de medicações, porém em proporções diferentes.

O neurocirurgião lembra que foi realizado um estudo na Escola Paulista de Medicina, no qual se avaliou o efeito do canabidiol em 15 pacientes com diagnóstico de epilepsia focal temporal com generalização secundária. “Durante quatro meses, oito destes receberam canabidiol e os outros receberam placebo (substância inativa). Quatro dos pacientes que receberam canabidiol ficaram livres de crises, três melhoraram e em um a substância não modificou as crises epilépticas”. Ele também lembra que os sete pacientes que receberam placebo ficaram com suas crises inalteradas. Existem relatos mais recentes de pessoas, principalmente crianças, com epilepsias graves que tiveram melhora significativa das crises, inclusive com melhora do desenvolvimento neuropsicomotor.