Precisamos falar sobre a saúde mental

Gostaria de dividir algumas ideias quanto à esta campanha maravilhosa que todos os colegas da saúde mental estão compartilhando sobre o Janeiro Branco. Talvez a principal delas é que, como primeiro passo do ano, possamos estar abertos ao verdadeiro significado de recomeçar, seja algum objetivo, seja uma nova vida, seja um novo comportamento, um pensamento.

É necessário que estejamos realmente “a fim de” fazer algo, de mudar, de procurar novas perspectivas e novos olhares. Também, é importante ressaltar que como tal campanha se inicia no primeiro mês do ano, deve continuar durante todos os meses seguintes, bem como já havia relatado algo no meu artigo passado, lembram? Tudo é um ciclo, uma continuidade do que já passou, então, devemos sempre continuar em frente.

Mas enfim, se falarmos em saúde mental, vamos ter que falar em doença mental, mas não como algo que nos remete apenas aos “loucos de hospício”, e já ouvi muitas pessoas comentando que psicólogo e/ou psiquiatra são coisas de loucos. Porém, todos temos nossas dificuldades e/ou facilidades, uns mais outros menos, de enfrentar os problemas cotidianos ou aqueles que chegam sem avisar. Sempre digo para meus pacientes que não precisamos dar conta de tudo sozinhos, para isso existem os amigos, os familiares, os bichos de estimação, mas também, e principalmente, existe o psicólogo.

neurovasc-4Então, é importante pensar sobre nós mesmos, sobre nossa vida, nosso comportamento diante das adversidades e dos imprevistos que surgem, sobre como podemos contornar uma situação delicada com um pouco mais de conforto e menos sofrimento. Eu sei! Não é uma tarefa fácil, termos que nos deparar com nossa própria fragilidade e nossos medos, mas quando dividimos nossas angustias e nossos problemas com o outro, podemos repartir, ou seja, diminuir um pouco o que nos deixa fragilizados.

Assim como cuidamos da saúde física quando vamos no médico, quando cuidamos dos dentes no dentista ou da alimentação quando vamos num nutricionista, devemos pensar sim, na necessidade psíquica, na saúde da mente. Se procuramos o significado do que é mental podemos discutir sobre espiritualidade, pensamento, alma, mas também do que é próprio da personalidade e coletividade. Tudo vai depender de como usamos a mente para nos colocarmos diante do mundo e do outro, e, se eu cuidar bem da minha mente, como cuido do corpo do biológico, também terei benefícios.

Antes falei em doença mental, portanto, quando eu machuco o braço, quando sinto dores de cabeça muito fortes ou quebro o pé, vou logo procurar um médico, mas quando sofro ansiedade, quando fico muito tempo sem sair do quarto, quando quero ficar sozinho sem ninguém por perto, preciso de outro tipo de ajuda, pois isso sim pode ser um pedido de ajuda da nossa mente para algo subjetivo, algo não medido através do aparelho de pressão ou da ausculta de alguma parte do corpo.

Portanto, vamos fazer um exercício, não só hoje, nem só amanhã ou até terminar o Janeiro Branco, mas sim todos os dias, um exercício de auto monitoramento, de olhar para si mesmo, para as próprias atitudes e, principalmente, sentimentos, se estou me sentindo bem ou mal, se estou sendo suficientemente bom comigo mesmo e com os outros, se estou sendo feliz a maior parte do tempo, se estou cuidando bem da minha vida.

Antes falei que não era fácil, não é? Repito novamente, não é fácil, mas é possível, não deixe de procurar ajuda quando precisar, saiba ouvir e falar quando necessitar, tudo pode ser aprendido em todas as idades, em todas as classes socioeconômicas, ninguém é dono de todo saber, mas podemos dividir o saber e as dúvidas, as dores e angústias, podemos aliviar aquilo que nos consome lentamente e substituir por algo que nos de alegria e maior satisfação de viver.