Perda de Memória

O envelhecimento populacional está causando um aumento no número de casos de comprometimento cognitivo e demência. Durante o envelhecimento há inúmeros fatores estruturais e biológicos cerebrais que são alterados e que podem levar a estas doenças.As queixas de memória podem chegar a mais de 50% em pessoas acima dos 65 anos de idade. Devemos observar que fatores como depressão e ansiedade podem colaborar para esta alta frequência e devem ser investigadas, além de outras doenças como alterações da tireoide, abuso de substâncias ilícitas, déficit de vitamina B12, sífilis, entre outras. As queixas mais comuns de memória são para mencionar nomes, onde foram deixados objetos, número de telefone e palavras.
O comprometimento cognitivo leve (CCL) abrange indivíduos que se encontram em um estado intermediário entre a cognição normal e a demência, principalmente a Demência de Alzheimer. Os critérios para a definição do CCL são a queixa de memória, corroborada por familiar; comprometimento da memória em testes específicos; função cognitiva global preservada; atividades da vida diária preservadas e não ter demência. Os estudos mostram que o risco de progressão do CCL para a demência varia de 10% a 15%, sendo os principais fatores de risco para a conversão a idade, baixa escolaridade e hipertensão arterial. Estes indivíduos devem ser investigados por um especialista e realizar avaliação neuropsicológica.
Atualmente não há consenso sobre o início de tratamento com as medicações oferecidas para a demência para tratar o CCL. Alguns estudos mostram uma tendência para a estabilização cognitiva, mas falta comprovação científica, embora alguns médicos já iniciem o tratamento em alguns casos em que o paciente mantém o CCL sem outra causa justificável.
Outra questão importante é a realização do tratamento não medicamentoso. Deve-se evitar ou diminuir os fatores de risco para o desenvolvimento da demência como a hipertensão arterial, obesidade na meia idade, diabetes, tabagismo, inatividade física, depressão, baixa escolaridade na infância ou juventude. Trabalho com tarefas mais complexas, rede social abundante, atividades intelectuais e físicas e dieta equilibrada podem auxiliar a manter boa cognição.
Assim, mudanças no estilo de vida são altamente recomendadas a adultos, idosos e pacientes com CCL.

 

Dr. Diego Cassol Dozza

Neurocirurgião