Paciência tem limite: Até quando mesmo?

Quando se fala em paciência sempre me lembro dos monges budistas, principalmente por aquele momento em que estão sentados meditando profundamente. Mas por que será que para nós ocidentais é tão difícil conseguirmos atingir tal padrão de descanso e paz interior?

Quando se fala em paciência sempre me lembro dos monges budistas, principalmente por aquele momento em que estão sentados meditando profundamente. Mas por que será que para nós ocidentais é tão difícil conseguirmos atingir tal padrão de descanso e paz interior?

Talvez o que todos pensem refere-se a questão do tempo, parece que sempre temos que olhar para o relógio e atingir todas as nossas metas naquele minuto, naquele dia mesmo. Tudo gira em torno do tempo, que horas vai ser a janta, que horas é para chegar, que dia tem que entregar o trabalho, que horas é para dormir. Mas não estou dizendo que devemos abolir o sistema das horas, mas sim, devemos aprender a lidar com esse tempo que nos é dado, aprender a gerenciar o que fazemos com o tempo que nos é dado.

Para isso, também se torna necessário lidarmos com nossas frustrações, algo que penso deveríamos ter aprendido na infância. Quando um pai, uma mãe ou um responsável diz para a criança “não”, está criando um mecanismo importante no cérebro da criança que ajudará no seu dia a dia quando amadurecer e se tornar adulto, aprendendo que há hora para tudo e que se têm limites e o tempo de esperar.

Podemos pensar também, que a falta de tempo nos torne mais impulsivos, quando temos que resolver qualquer tipo de problema, desde os mais simples aos que exigem mais atenção. Por exemplo, o que acontece com frequência são as brigas de trânsito, onde um motorista quer ter mais razão que o outro, já sabemos que em muitos casos isso não acaba bem. Voltamos a tolerância a frustração né?

Quando algo não sai do jeito que eu queria, posso descarregar minha raiva, minha frustração, minha falta de paciência no outro, ou em qualquer um que esteja perto, pode ser a família, a esposa, o filho, os pais, o cachorro.

Mas é importante podermos parar um segundo que seja, para pensar nesses impulsos, nessa falta de tolerância, no que nos torna seres irracionais e inconsequentes. Basta nos perguntarmos qual o motivo de eu estar desse ou daquele jeito, se há necessidade real de eu estar assim ou se eu ou alguém foi responsável por isso ou aquilo não dar certo.

É importante lembrar que quando estamos com uma falta de paciência, irritabilidade extrema ou só enxergamos o lado ruim das coisas, podemos pensar que haja um transtorno de humor envolvido, possivelmente uma DISTIMIA, ou seja, um tipo de depressão mais grave e crônica. Tal doença pode atingir crianças, adultos e idosos, por isso é importante também prestarmos atenção em sinais de irritabilidade, baixo rendimento escolar, isolamento e baixa autoestima.

Sempre é bom lembrar que o melhor para resolver os problemas é conversar, se não der certo dialogar, mude comportamentos que lhe causem desconforto ou a outro, sorria mais, beije mais, abrace mais.

Quando deixarmos de pensar racionalmente e calmamente aí estaremos voltando para a época dos homens primitivos, não seremos capazes de retornar a um mundo civilizado organizado sem que precisemos nos matar para isso.

Vamos pensar novamente que mais um ano está findando, que um futuro ainda está por ser escrito, mas é importante que todos possamos fazer nossa parte, ser responsáveis e educados, pensar no coletivo mais do que no individual, mas também podermos ter um tempo apenas para nós, focando no que é mais importante, a saúde mental.

Já falei outras vezes, mas não custa lembrar, quando precisar desabafar seus sentimentos e não tiver quem ouvir ou não quiser dividir com mais ninguém, conte com um psicólogo, ele é a pessoa mais certa para isso, e o melhor de tudo, não vai te criticar ou ser impaciente com você.

 

Anderson Cassol Dozza – neuropsicólogo