O vírus da zica e seus problemas

Tudo começa pela infecção pelo vírus que é transmitido em humanos por mosquitos Aedes, incluindo o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, que também transmitem a dengue e  a chikungunya.  A doença foi relatada pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. Segundo o Ministério da Saúde não há evidências de transmissão do vírus Zika por meio do leite materno, assim como por urina, saliva ou sêmen. Mas ainda há muita discussão na comunidade científica e muitas perguntas sem respostas. A recomendação para o aleitamento materno é que se converse com o médico responsável e que se use preservativo se algum dos parceiros estiver infectado.

Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito ou causar complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, que provoca fraqueza e paralisia nos membros.

O que mais preocupa atualmente é a ocorrência de microcefalia que é uma malformação craniana em que o crânio cresce abaixo de dois desvios-padrão em relação a uma pessoa de mesma idade e sexo. Descomplicando: isso  significa que o recém nascido está abaixo da segunda curva do gráfico do perímetro cefálico que é encontrada na sua carteirinha. Ou seja, um recém nascido com 42 semanas de idade gestacional que apresenta um perímetro cefálico menor que 32cm apresenta microcefalia. Já se ele fosse prematuro teria que ser um valor mais baixo. Não se sabe ainda em que fase da gravidez a zika é mais perigosa, mas os três primeiros meses são sempre o período mais crítico para infecções porque os órgãos estão em formação. Também não quer dizer que toda a gestante infectada terá problemas com seu feto.

Geralmente a microcefalia não é uma doença por si só. Existe a microcefalia primária, que é única e exclusiva, causada por alteração genética e que causa apenas déficit cognitivo. Mas na maioria dos casos ela é causada por outras malformações, exposição a radiação, uso de drogas, vírus (como rubéola, citomegalovírus e agora também o zica) e nestes casos vem acompanhada de outras alterações encefálicas e também faciais algumas vezes.

Uma observação importante é que a microcefalia deve ser diferenciada da craniossinostose, que é uma doença que causa o fechamento precoce das suturas craniana (pequenas aberturas no crânio que permitem o seu crescimento – a “moleira”). Esta tem outras causas e pode ser tratada através de cirurgia.

Pelo protocolo do Ministério da Saúde todas as crianças com microcefalia congênita confirmada deverão ser inseridas no Programa de Estimulação Precoce, desde o nascimento até os três anos de idade, período em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente. A estimulação precoce visa à maximização do potencial de cada criança, englobando o crescimento físico e a maturação neurológica, comportamental, cognitiva, social e afetiva, que poderão ser prejudicados pela microcefalia. Esta causa retardo mental em cerca de 90% das crianças.

O tratamento da zica é feito com analgésicos e hidratação, não há necessidade de internação hospitalar. Assim como na dengue não deve ser usado aspirina ou antinflamatórios.

A prevenção cabe a todo mundo, cuidando para acabar com os focos da doença. Faça a sua parte para evitar uma epidemia!

 

Dr. Diego Cassol Dozza – neurocirurgião