Nutrição Comportamental: uma abordagem científica e revolucionária da nutrição

Atualmente, muito se fala sobre nutrição, mas pouco se sabe quanto ao seu real significado. Tornou-se um assunto popular, em que todos a sua volta (vizinho, amigo, parente, blogueira fitness, instrutor de academia, etc) julgam saber  exatamente tudo sobre alimentação e/ou dieta. Os indivíduos são expostos a diversas e contraditórias informações e conselhos sobre o que podem e como devem ou não se alimentar – circunstância que os deixa inseguros e ansiosos sobre sua relação com a comida. Porém, nunca se falou tanto de nutrição e dietas, e nunca a população ganhou tanto peso! Isso não te parece contraditório?

Vivemos a era do “nutricionismo”: uma doutrina alimentar, cujo foco esta nos nutrientes de forma isolada, desconsiderando o alimento como um todo, e vendendo a falsa ideia de que adicionando nutrientes a qualquer coisa, essa coisa se torna alimento. Acaba  promovendo uma visão dicotomica dos alimentos, dividindo-os entre “saudável ou não saudável”, “bom ou ruim”, “permitido ou proibido”. Dessa forma, na maioria das vezes o prazer em comer vem associado a culpa. E se tornou cada vez mais comum aparecer “o policial nutricionista”, aquele que determina aos indivíduos o  que deve ou não deve ser ingerido, um posicionamento inadequado e que sobretudo não garante a mudança de comportamento.

Nesse contexto, sabe-se que o prazer de comer é um dos mais essenciais da vida, e compartilhar a comida, uma das felicidades do ser humano. Dessa forma, a nutrição comportamental surge com o intuito de ressignificar a nutrição e contrapor esse contexto atual em que nos encontramos. É uma abordagem tecnológica e inovadora da nutrição, que inclui os aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação e favorece mudanças no relacionamento do nutricionista com seu paciente, e da comunicação na mídia e na indústria com seus consumidores.

Eliza Sella Battisti

Embora devemos considerar o alimento como fonte de nutrientes promotores de saúde e bem estar, seu papel vai além da visão tecnista e nutricional. A comida tem uma serie de significados, dentre eles estão: cultura, religião, política, status, memórias afetivas, família, questões de gênero e relacionamentos. Na nutrição comportamental as funções simbólicas da comida são tão importantes quanto as funções nutricionais, e é papel do nutricionista favorecer que as necessidades nutricionais sejam atingidas simultaneamente das necessidades culturais e simbólicas.

Nesse sentido, como se come (as crenças, pensamentos e sentimentos sobre comida) é tão ou mais importante do que simplesmente o que se come. Dessa forma, mensagens coerentes, baseadas em evidências científicas que legitimem o prazer de comer e o equilíbrio são peças-chave para uma comunicação responsável, positiva e inclusiva no desenvolvimento de um comportamento saudável.

A conduta baseada em aconselhamento nutricional contrapondo as prescrições dietéticas convencionais, destaca-se por se tratar de um processo que facilita a evolução de outra pessoa, ajudando-a a solucionar dificuldades alimentares e a intensificar suas aptidões pessoais por meio de métodos individualizados que incitem a responsabilidade para o auto cuidado. O processo de aconselhamento nutricional se justifica na ênfase das vivências relacionadas ao comer, bem como nos pensamentos e concepções de quem se está aconselhando. Dessa forma, combina conhecimentos nutricionais e habilidades terapêuticas focadas na alimentação. Como resultado, os indivíduos são verdadeiramente auxiliados a fazerem modificações desejáveis associadas à alimentação e ao estilo de vida, havendo mudança de comportamentos e não apenas a melhora dos conhecimentos sobre nutrição.

Dessa forma, o terapeuta nutricional é o nutricionista que trabalha com essa abordagem. Adotar o nome de terapeuta nutricional significa dizer que o profissional, além de ajudar um  indivíduo em relação à organização e ao seu consumo alimentar, procura auxilia-lo a compreender a ligação entre emoções e atitudes alimentares, ou seja, busca relacionar o consumo alimentar a pensamentos que possam estar interferindo na alimentação.

Por fim, vale ressaltar que nós não somos maquinas, somos seres vivos com vontades, sentimentos e comportamentos alimentares. A ciência provou que o estado de estresse no qual um indivíduo se encontra no momento da refeição influencia diretamente na sua digestão e metabolismo. Assim sendo, uma alimentação saudável deve ser variada, equilibrada e consumida com prazer, tranquilidade e com atitudes adequadas, por exemplo, comer livre de culpa. O comportamento é tão importante quanto o nutriente.

FONTES:

Nutrição Comportamental /Marle Alvarenga et al. Barueri, SP: Manole,2015.

O peso das dietas: emagreça de forma sustentável dizendo não as dietas!/Sophie Deram. – 1.ed. – São Paulo: Sensus,2014.

 

Eliza Sella Battisti – Nutricionista

CRN:13496

Especialista em Comportamento alimentar