Mulher Maravilha e o Empoderamento Feminino

Margaret Thatcher, Cleópatra, Elizabeth I, Michele Obama, Angela Merkel, o que estas mulheres têm em comum? Todas são mulheres de sucesso e que tomaram para si uma responsabilidade de mudar a visão de que as mulheres seriam o “sexo frágil”. Mostraram ao mundo que não importa o gênero, mas sim as ideias de poder mudar a sociedade em que vivem ou viveram de maneira igualitária para todas.

Contudo, nenhuma mulher precisa ser a mulher maravilha da ficção, aquela mulher guerreira que salva o mundo todo com sua força e com seu laço mágico, ou ter que assumir um cargo superior na sociedade para mostrar que tem poder. Não precisamos ir tão longe ou pesquisar tão a fundo na história para observarmos a força de uma mulher. Basta olharmos para o lado, para nossas mães, esposas, vizinhas, colegas de trabalho para ter uma ligeira ideia desse poder.

Aquela mulher que faz todo o trabalho duro da casa, sustenta a família e ainda tem que estar ou parecer sexy para seu companheiro, já é digna de ser mesmo chamada de mulher maravilha. Aquela que levanta de madrugada em busca do ônibus que lhe leva ao trabalho para então, mais tarde estar retornando com a conquista de seu suor e dar ao (s) filho (s) o mínimo de dignidade, esta sim, já é passível de ser chamada de mulher maravilha. E olha, que nem precisa usar aquele “uniforme” todo reluzente e o laço mágico que é apresentado na ficção.

Porém, no mundo atual, e em diversas culturas e diferentes classes socioeconômicas há uma mulher maravilha, aquela que aceita os desafios diários sem ao menos reclamar, que engole a seco as diferenças e as transforma em força para continuar sobrevivendo. Essas mulheres podem estar fazendo suas próprias mudanças e conquistando seus próprios poderes sem precisar aparecer num filme de ficção ou ter um superpoder.

Mas quando se fala em empoderamento feminino, devemos pensar naquela consciência coletiva, mostrada através de ações que auxiliem a mulher a se fortalecer e desenvolver a igualdade de gênero. Empoderar significa tomar o poder para si, como a mulher maravilha dos filmes e desenho animados faz. Há muitos exemplos de mulheres que foram as primeiras em suas conquistas, que se destacaram por sua força e coragem, que revelaram de forma impressionante a estrada para o sucesso.

Em contrapartida, vivemos ainda em mundo machista, onde para ser um bom líder ou tomar lugar em um nível hierárquico maior devemos ser viris, o que leva a acreditar que apenas os homens deveriam ter esse lugar na sociedade, para ser um super-homem.

Não pode ser mais tolerável qualquer atitude que menospreze e diminua um ser humano, independente de seu gênero ou de sua sexualidade, ou das opções que se faz ou não se faz. Não haveria necessidade de estarmos discutindo sobre minorias ou preconceitos, se houvesse mais diálogo e menos atitudes que barram o livre arbítrio e a livre expressão de comportamentos, mas sempre frisando que tudo isso deve estar de acordo com o respeito aos outros e com a lei.

É importante reforçar que durante toda a história da humanidade a mulher foi considerada menos importante ou inferior aos homens. Mas hoje, ela mostra o que sempre teve consigo, a força de suportar os mais perversos ataques de moralismo, sexismo, depreciação ou machismo que o mundo lhe impôs. Hoje a mulher maravilha existe dentro de cada mulher, independente de idade, de classe social, de cada dona de casa, empresária ou presidente de algum país.

Cabe a nós homens, sermos os seus iguais, no sentido de andarmos lado a lado, o que lembra uma pessoa conhecida que sempre reavaliou aquela velha frase: “Atrás de um grande homem há uma grande mulher”, para “Ao lado de um grande homem há uma grande mulher”. Devemos aprender juntos, pois entendo que, não somos iguais a ninguém, muito menos ao sexo oposto, somos diferentes como peças de um quebra cabeça, onde tudo se encaixa como deveria. Então porque não sermos um quebra cabeça de 7 bilhões de pessoas, que se ajudam e mostram que o melhor do ser humano é a diferença?

É preciso reconhecer que as mulheres têm o seu poder sim, como o homem tem o seu próprio poder, o poder de transformar, de ressignificar e dar um novo sentido para o que faz a diferença em nosso mundo. Como homem, me sinto no dever de mostrar que o meu poder só é poder de verdade quando ao lado de minha companheira, quando usado de maneira consciente e em união ao poder da pessoa que está ao meu lado.

Não há necessidade de julgarmos homens, mulheres, travestis, transexuais, homo ou heterossexuais. É necessário, sim, respeitarmos as diferenças para não fazermos dela a principal arma de pré-conceitos e apoios irracionais às pessoas ignorantes no discurso de polemizar o que não tem discussão. É como eu sempre soube, nunca podemos discutir política, religião, futebol e nem mesmo gêneros, pois tudo de sempre dois lados.

Seja homem ou mulher, andando lado a lado, com diferenças ou igualdades, de raças e credos diferentes, todos somos humanos, dividimos a mesma “casa” e devemos nos respeitar mutuamente. Não é porque sou homem ou mulher, com opções, comportamentos ou pensamentos diferentes, que me faz melhor ou pior do que o outro. A mulher deve sim se apoderar do que lhe compete, do que lhe deixa mais forte e mais desejosa de que seu futuro seja melhor. Assim, o homem deve ser o super-homem e a mulher a mulher maravilha, pois a parceria é valida, até mesmo na ficção.

 

Anderson Cassol Dozza – neuropsicólogo