Mortes por meningite triplicam em relação ao ano passado no RS

Em Passo Fundo uma menina de oito anos morreu no último sábado (18) vítima de meningite bacteriana. Moradora do Bairro São Cristóvão II, a criança apresentou os primeiros sintomas ainda na quarta-feira (15). Ela chegou a ser internada em um hospital da cidade, mas o quadro se agravou e a menina veio a óbito.

O número de mortes por meningite triplicou no Estado no primeiro semestre de 2015 em comparação com o mesmo período de 2014. Conforme o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde (SES), já são 10 mortes por meningite meningocócica neste ano — três do tipo B, três do tipo C e quatro sem identificação do meningococo — contra um total de três registradas no mesmo período ano passado.

Os dados, atualizados em 10 de julho, ainda mostram que o número de casos também subiu. Até o momento, foram 48 registrados em 2015, contra 35 do primeiro semestre do ano anterior.

Conforme o informativo, “observa-se tendência de aumento da circulação do meningococo C a partir de 2012” e “se o cenário de 2015 se mantiver como observado até agora, este ano poderá ultrapassar o número de casos dos dois últimos anos”. 

 

meningite_folhape_2Marilina Bercini, diretora do Centro Vigilância em Saúde (CEVS), explica que, ao longo dos últimos anos, é possível observar uma oscilação no número de casos e de mortes por meningite no Estado, e que os registrados até o momento estão dentro da faixa normal de variação:

— Tivemos um surto localizado, que acabou refletindo nos números totais computados neste primeiro semestre, mas não se trata de uma epidemia. 

É o que afirma também o infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz. Para o especialista, os números ainda refletem surtos isolados, e não devem ser considerados uma epidemia, mas servem de alerta para o fato de a imunização atual não estar sendo suficiente para defender a população.

Atualmente, a rede pública oferece a vacina contra a meningite tipo C para crianças de até dois anos. Especialistas estimam que ela mantenha a criança imunizada por pelo menos cinco anos.

— O ideal seria disponibilizar, no calendário vacinal, um reforço da vacina para os que estão entre 12 e 20 anos, principalmente nos locais onde foram diagnosticados dos casos. Além disso, seria importante disponibilizar também a vacina contra o tipo B — destaca Sprinz.

Ao longo do ano passado, foram registrados 12 casos e três mortes por meningite do tipo B no Estado. Neste primeiro semestre, já são sete casos e três mortes. Atualmente, a vacina contra o tipo B da doença, que chegou no Brasil há poucos meses, só está disponível em clínicas particulares por um valor médio de R$ 500 por dose.

ClicRBS