JINGLES BELLS: O BATER DO SINO DO FIM DE ANO.

Certo dia uma conhecida chegou para mim e fez a seguinte pergunta: “Anderson, você acredita ainda nas pessoas?”. Inicialmente fiquei meio atônito com a pergunta, e poderia responder de maneira impulsiva e rapidamente que sim, porém me detive numa explicação mais curta e direta, mesmo achando aquela pergunta um pouco estranha de início, mas que foi fazendo eu pensar realmente nisso, mas o que é acreditar nas pessoas?

Mas, pensado melhor, e aproveitando a oportunidade de mais um fim de ano, queria tentar fazer uma “resenha crítica do ano”, se pudermos colocar dessa forma. Poderíamos iniciar pensando que cada um tem seus problemas, certo? E cada um tenta lidar de uma forma específica com ele. Acredito que cada um de nós teve uma dificuldade esse ano que passou, que cada dia que passa temos novos desafios e testes que nos levam a acreditar no melhor ou no pior de cada um.

Acredito sim no melhor das pessoas, que cada um teria condições de resolver seus problemas da melhor maneira possível, em toda e qualquer condição que a vida lhe proporcione. Sei que passei minhas dificuldades esse ano, que “sobrevivi” segundo outra pessoa conhecida, que minhas dores e meus problemas são sentidos e vivenciados de maneira única e diferente, apenas por mim, minha dor é diferente da do outro, meus problemas podem ser os mesmos, mas minha percepção pode ser um pouco diferente.

Por isso, torna-se importante fazermos uma reflexão sim do ano que passou, sobre quem realmente somos (como pessoas, como seres humanos), se fomos ruins ou bons, com as outras pessoas e com nós mesmos, se poderíamos ter ajudado mais ou lamentado menos, se… ou se…

Mas não podemos viver apenas de hipóteses, apenas imaginando ou tentando imaginar se as coisas pudessem ter sido diferentes se não nos esforçamos para tal. Ai entramos em outra “mania” de final de ano, as promessas. Acredito que prometemos tanto no início do novo ano, para nós ou para os outros, que acabamos esquecendo no final desse mesmo ano o que havíamos mesmo nos comprometidos a fazer. Ou nos enganamos que no próximo ano será diferente, que realmente vamos cumprir essa (s) promessa (s), depende de quantas você anotou no seu caderninho né,?

fim de anoContudo, o que deve ser mais importante é que se nos propormos a fazer algo para o(s) próximo(s) ano(s), então vamos fazer, colocar nossos pensamentos em prática, transformar ideias em ações, pois nossos comportamentos e ações são mais efetivos quando estamos em movimento, e assim como o nosso cérebro está sempre em movimento, temos que colocar o corpo também em movimento, expressar o que sentimos, sejam as boas ou as ruins, mas de forma equilibrada e sincera.

As vezes pode dar até aquela velha preguiça, podemos pensar “amanhã eu faço”, porém, uma pequena atitude nossa, talvez possa fazer uma grande diferença para outra pessoa. E não vamos pensar apenas em nossas famílias ou amigos, temos que pensar globalmente, nos mais de sete bilhões de seres humanos que habitam a Terra, que é a nossa casa, nosso lar, e até onde me lembro, lar significa onde as pessoas habitam, moram e sentem-se bem, convivendo com a família e/ou com um círculo social, também havendo troca de sentimentos.

É bom lembrar que cada dia que passa o ano está passando também, tanto é que no final de cada ano temos aquela falsa sensação de que o ano passou rápido, não é? Mas o tempo é o mesmo para todo mundo, o que munda é como o administramos, o que fazemos com ele, na verdade, o que fazemos com nós mesmos, com nosso corpo, nossa mente e nossa alma, como hidratamos e alimentamos essa tríade (Corpo, Mente e Alma), de maneira a tentar encontrar um equilíbrio entre todas as dores, os problemas e todas as soluções e necessidades atingidas no decorrer desse tempo que passou, mesmo que seja “voando”.

Talvez, e só talvez, não estou impondo nada ok? Devemos pensar todo dia um pouco sobre o final do (s) ano (s), não para esse seja melhor do que aquele, mas que todos possam ser produtivos, equilibrados, saudáveis e positivos para todos. Até porque, acredito que nunca é um fim, mas também não é um início e sim, um ciclo, nossa vida é um ciclo, de idas e vindas, das pessoas e do tempo, dos dias e das noites. Vamos refletir, cuidar uns dos outros, de nós mesmos um pouco também, da nossa casa, do nosso lar.

Gostaria de aproveitar também e desejar um final de ano equilibrado e boas festas, sobretudo agradecer a cada pessoa que passou pela minha vida esse e noutros anos e os que passarão. Cada um deixou uma lembrança especial e única, ou uma nova forma de pensar. Também à equipe da Clínica Neurovasc, aos funcionários e colegas, à minha família e amigos que cada um, da sua forma seguiu e segue fazendo e desejando o melhor para as pessoas.

Um abraço e nos reencontramos no próximo ciclo.

 

Anderson Cassol Dozza – Neuropsicólogo