Homossexualidade na infância, como lidar com o assunto?

Eles estão presentes em várias partes e muito próximos de nós. Seja no convívio familiar, no trabalho, novelas, ou mesmo na rua, os casais homossexuais já fazem parte de nossas vidas e não podemos negar. Fato que não é recente, mas muitas pessoas ainda não conseguiram aceitar.

A homossexualidade não é algo novo na sociedade. Estudos apontam que a pratica surgiu há 1,7 mil anos A.C. Na época, ninguém saia chamando a pessoa de gay, o amor entre casais do mesmo sexo era tão comum que o termo homossexual nem existia.  Os próprios gregos, com o consentimento dos pais e do filho tinham sua iniciação sexual através do homossexualismo. Por sinal a denominação surgiu em 1848, pelo psicólogo alemão Karoly Maria Benkert, quando passaram a denominar o relacionamento de pessoas do mesmo sexo como uma doença. “A homossexualidade é uma construção sociocultural, que varia de país para país. É uma questão de como a população será educada para essa questão”, explica o neuropsicólogo Anderson Cassol Dozza.

Considerada por muitos estudiosos como uma doença, a homossexualidade só passou a ser tratada como opção sexual no final do século passado. “Muitos consideravam a opção como uma desordem mental, um desvio de comportamento, o que atualmente é considerado equivocado, tanto que não existe uma cura para algo que não é considerado transtorno”, salienta o neuropsicólogo.casal-gay-e-casal-hetero-mesmos-direitos

Apesar de ser algo presente na sociedade, muitas pessoas ainda veem com preconceito a escolha de casais do mesmo sexo. Para os mais radicais a maior preocupação é com o desenvolvimento das crianças e como tratar do assunto. Segundo Dozza uma ideia totalmente equivocada e que deve ser tratada de forma natural. Ele salienta que os pais precisam estar abertos para abordar o assunto, sempre respeitando a idade da criança: “É importante que os pais conversem com os filhos sobre sexualidade, não escondam nada, expliquem que casais homossexuais também têm sentimentos, que não é um bicho de sete cabeças, não é anormal, e que devem ser respeitados”.

Na escola a postura deve ser a mesma. Os professores não devem tratar de forma diferente meninos e meninas heterossexuais de meninos e meninas homossexuais. “A escola tem um enorme papel quando o assunto é sexualidade, em que série vai ser abordado o assunto, ter a presença dos pais para discutir o tema, e à medida que os alunos vão crescendo eles acabam descobrindo o que desejam para a sua vida afetiva”, destaca Dozza.

Para o neuropsicólogo se faz muita “tempestade” em um assunto que acaba estando presente no nosso dia-a-dia, principalmente nos meios de comunicação como televisão e internet: “A novela é um exemplo desta exposição. Quando um casal de homossexuais está se beijando, eles estão demonstrando todo o seu amor, carinho e afeto, da mesma maneira quando envolve casais heterossexuais. O problema é que não se debate o assunto, parece uma forma de forçar a sociedade a achar que isso é o correto e aí entra o papel dos pais”, salienta Dozza.

Outro ponto que vem sendo discutido é a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Muitos questionam a postura que os casais terão na criação dos filhos e de que maneira será formada a opinião dessa criança. Pesquisas realizadas pela associação Psicológica Americana, (American Psychological Association) apontam que 99,99% das crianças adotadas por homossexuais não apresentaram nenhuma mudança psicológica, física ou mental na identificação de gênero, “bem pelo contrário, em alguns casos a pesquisa apontou uma relação afetiva muito melhor do que com os pais heterossexuais”, aponta o neuropsicólogo.

Para o neuropsicólogo Dozza a melhor maneira de se ter o convívio entre heterossexuais e homossexuais é através do diálogo. “O preconceito está muito presente na sociedade, seja na questão sexual, religiosa ou étnica, mas é preciso que as pessoas estejam cientes de que é um assunto que deve ser discutido sem neurose, respeitando a opção de cada um”.