Dor de cabeça

Inicia um novo ano e com ele as dores de cabeça, pois já temos alguns impostos caros para pagar. Então vamos falar sobre alguns conceitos errados que ainda existem sobre as dores de cabeça e tentar entendê-las um pouco melhor.

Sem dúvida a dor de cabeça (cefaléia) mais comentada é a enxaqueca (migrânea) e aqui já começam alguns absurdos que se escutam como: “…não tem tratamento e tem que aprender a conviver com a dor…”, “…tome 1-2 neosaldinas ou ormigreins de 6/6 horas até a dor passar…”. Simplificando tudo: enxaqueca é uma doença do cérebro, transmitida geneticamente e que tem tratamento eficaz. A OMS considera a enxaqueca grave, juntamente com a quadriplegia, a psicose e a demência, como uma das doenças crônicas mais incapacitantes. Cerca de 53% dos pacientes apresentam debilitação intensa ou necessidade de repouso na cama e isto gera um impacto econômico, pois mais de 4 dias completos de trabalho são perdidos por ano com crises de migrânea.dor

A enxaqueca pode apresentar ou não aura, sendo que 70% de todas as formas de migrânea ocorrem sem aura. Apresenta duração de 4 a 72 horas, sendo caracterizada por  ≥2 dos seguintes aspectos da cefaleia: unilateral, pulsátil ou latejante, moderada a intensa e agravada por movimentos; e mais 1 dos seguintes: nausea, vômitos ou fotofobia e fonofobia (aversão à claridade ou barulho).

A enxaqueca é uma doença crônica e pode ser progressiva, isto é, ficar mais intensa e mais frequente. Cerca de 4% a 5% da população tem cefaléia crônica diária (CCD) e em 75% dos casos, a causa subjacente é a transformação de enxaqueca episódica em enxaqueca crônica. Cerca de 30% a 50% das CCDs podem ser atribuídas ao consumo abusivo de remédios.

Assim, devemos iniciar o tratamento o mais precoce possível. O tratamento preventivo visa reduzir a frequência das crises, reduzir a intensidade das crises e a incapacidade funcional a elas associada, melhorar a qualidade de vida do paciente e prevenir e/ou tratar concomitantemente as doenças associadas. Já o tratamento agudo das crises visa restaurar a função normal do paciente aliviando a dor e os sintomas associados à cefaléia de forma rápida e consistente, sem recorrência da cefaléia dentro de 24 horas e com mínimos efeitos colaterais. Para tanto, como suposto, são utilizadas medicações diferentes para cada uma destas etapas. Não cabe aqui falar sobre as medicações. Caso você se enquadre neste conjunto de fatores procure um médico para se aconselhar sobre o tratamento.

Dr. Diego Cassol Dozza